8 de nov de 2013

Do Re Mi Tu Tiempo

O Tempo,
Só o Tempo
Pode mesmo te ensinar
Que a vida é a glória
Que você quer evitar

O Tempo,
Só o tempo
Te espera para aceitar
Que não há nenhum passado
Nem futuro
Pare de derperdiçar

O Tempo chega com aquele amor
Que você desprezou
O Tempo vem com aquela liberdade
Que você tão mal usou
O Tempo há semeado aquela flor
Que você viu e arrancou  
Mas chega o Tempo de você pagar o que em fim quebrou

O Tempo bem conhece a justiça que alguem negou
O Tempo bem revela a verdade por mais que se ocultou
O Tempo traz presentes para o acerto e você consciente errou
Agora o teu Tempo acabou...

Começou... 

  

Andréa Cristo

10 de dez de 2011

...Da desesperança... Da boa intenção do mal.

Calem-se bocas estúpidas
Absurdas
Não tentem analisar
A dor alheia
Mentes vazias
Línguas bem cheias
De palavras burdas
Falácias sujas
Sem sangue nas veias...

Não tentem entender
Vossa mente não alcança
Vosso pêndulo balança
Para o lado fatal
Da desesperança
Da boa intenção do mal...

Lavem suas bundas
Cagadas de medo
Revelem o segredo
Da vossa covardia
Viciosos de noite
Virtuosos de dia

Calem-se bocas tutas
Que criticam o pedreiro
E também o padeiro
Quais foderam a prostituta
Que alimenta o sexo dos homens
Para futuros homens alimentar
Cansada de preces que Deus não escuta
Cansada de pedras desviar

Não tentem correr
Com o vosso Rei na pança
Vosso crime não tem fiança
Malditos fundadores do caos
Da desesperança
Da boa intenção do mal...

Andréa Cristo 2011

1 de set de 2011

Decreto

Hoje resolvi esquecer o passado. Não vale a pena tanto esforço para nenhuma recompensa. Não vale a pena alertar ao mundo porque o mundo já está em Alerta Vermelho. Não vale a pena contar uma história... Uma história à mais, que já foi, mas já não é.

Hoje resolvi deixar o mundo girar, sem tentar deter, sem tentar acelerar, este movimento, que com o tempo, põe cada coisa no seu lugar.

Hoje esqueço. Amanhã também... e aquilo que esqueço está condenado a desaparecer... Não há mais tempo e lugar, para perpetuar, o que deve morrer.

Havia me esquecido disso, agora me lembrei. Lembrando toda minha vida do que jamais pensei que esqueceria, minha alma me prometeu um novo dia, fazendo-me calar o que só eu sei.

Hoje tive um sonho, que me aconselhou dar o perdão à pessoas que não me pediram. Eu falei para o sonho, que não posso perdoar, somente posso tentar esquecer. O sonho retrucou que esquecer é perdoar e acrescentou que, o perdão dado, é o detonante da responsabilidade de quem foi perdoado. Assim é mais justo o esforço de esquecer.

Sendo assim, hoje entrego meu esquecimento nas mãos da justiça, com sua espada que corta pelos dois lados. Se a minha paz depende disso, que a justiça pese em sua balança, meu coração mutilado com o desejo de vingança, que muitas vezes foi adiado, por simples questão de esperança. Hoje esqueço aqueles, quais sem saber, pelos seus crimes já estão condenados.

Hoje me responsabilizo da minha cura definitiva, tal como sempre me responsabilizei da minha dor. Aqui, neste trecho, descarrego os fardos da ira, que arrebentaram delicados laços furta-cor. Oportunidades que eu perdi e corações que eu feri por não saber receber e dar amor, pois foi sem amor que a viver eu aprendi, num mundo que não há espaço para qualquer coisa de valor... Mas sem justificar, hoje é o dia do ponto final, do mal que me acompanhou, desde o dia em que nasci... hoje é o dia do renascimento. Mais uma vez sobrevivi...

Agora deixarei de sobreviver para viver... mas desta vez, sem o sofrimento que 40 anos eu padeci.

Basta

Andréa Cristo.

18 de ago de 2011

Alprazolam, Escitalopram, Tepazepam

Não quero sentir mais nada
Num mundo que só sente odio
Inveja, medo, avareza,
De pensar e agir têm preguiça
De agir sem pensar têm certeza
Semeando injustiça
Semeando tristeza

Não quero sentir mais nada
Nem dor, compaixão, alegria...
Quero levitar numa profunda indiferença
Quero mergulhar numa profunda anedonia
Sem me importar com a solidão da noite
Nem com a podre sociedade do dia
Quero ignorar meus açoites
Quero ignorar minha rebeldia

Não quero sentir mais nada
Nem na cama, nem na mesa
Se engordo sou tratada como um lixo
Se emagreço sou tratada como uma princesa
De todos modos sou tratada sem amor
Pois o amor mudou de nome: é safadeza
Já não quero desejar nem ser desejada
Quero ser uma entidade da frieza

Não quero sentir mais nada
Alprazolam, Escitalopram, Tepazepam
Bendito alivio contra o mundo da desconexão
Poderosas armas contra os truques de Pã
Iden matando um nobre coração...
Esquecendo o ontem, o hoje e o amanhã
Os comprimidos diários, esquecidos não serão...

Adeus prazer, Adeus sofrimento
Adeus medo, Adeus valentia
Hoje nasceu um novo elemento
Sem vibração, nem sintonia...
Ao inferno, tudo e todos!
Não são dignos da minha energia
Hoje apago meu fogo vital
Me entregando à total letargia.


Andréa Cristo 2011






23 de mar de 2010

Maria Navalhada

Sujeitos que calam os defeitos
Defeitos que calam os direitos
Direitos calados no pleito
Preceitos do homem imperfeito
Proveito do crime perfeito
Eis uma causa e efeito :

Pelo pai estuprada
Pela mãe espancanda
Pela família escorraçada
Pela lei desdenhada
Bela Infância roubada
Benta honra profanada
E de tudo isso acusada…
Destino :
Ruas amarguradas
Vida derrubada
Belo dia internada
Demente alucinada
Da mente foi tratada
Essa doente abandonada
Está finalmente curada ?
Nada…
Vivia drogada
Fez vida na estrada
Maria navalhada
Matou descarada
Julgada e condenada
Morreu na cela… assassinada
Culpada !-?

Sujeitos exaltam preceitos
Preceitos e pleitos são feitos
Por leigos com sumos direitos
Julgando humanos desfeitos
E a ira invade o teu peito ?
Cuidado com a causa e efeito.


Andréa Cristo

31 de dez de 2009

Lua IV - Lua azul

Lua azul de magia
Luz cristalina de amor
Ilumina a última noite do dia
Onde eu fui tristeza e dor

Lua azul deslumbrante
Luz cintilante de vida
Ilumina a noite errante
Onde eu fui um dia esquecida

Lua azul energética
Luz de intenso poder
Ilumina a noite mais tétrica
Onde eu meditei em morrer

Lua azul milagrosa
Luz que remata este ano
Abrindo meu corpo em rosa
Fechando as portas do engano

Lua azul vem à mim
Penetra tua luz em meu ventre
Ilumina meus cantos escuros
Onde eu escondi a semente
Que liberada no sol de amanhã
Poderá brotar livremente
Florecendo em prados de amor
Adornando meu novo presente

Amém
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Andréa Cristo

21 de jun de 2009

1:11

No peixe da teia
A sede,
Que morre em tua boca
A ceia,
Deixando essa moça
No cio,
Que fio que tece
Tua roupa?
Espinhas e escamas
Nas meias,
Netuno que escuta
A sorte,
Do canto de certa
Sereia,
Que nada no sul
Do teu norte...
Pescando o prazer
Oh consorte,
Navego teu corpo
Na areia...


_________________
Andréa Cristo



15 de jun de 2009

Poema para Línguas Bobas

Não me peça
Não me dê
Não me meça
Não sou você

Bem que me julgue
Mal me compreende
Tanto que me insulte
Quanto não me ofende

Cuide da sua vida
E com a língua ensaboada
Lamba suas feridas
Purulentas e infectadas

Vê se me esquece
Lembrando de você
Tal como me teces
Qual como te vês
___________________________
Andréa Cristo






11 de jun de 2009

Prosa do Ébrio e o Amor

E o amor que por ali passava
Me viu quebrado na minha cachaça
Pediu licença e se aproximou...

Me perguntou se eu já havia amado
Eu respondi: estou embriagado
Da dor do amor que ela me causou...

Mas disse o amor:
Nunca amaste então
O que sentiste foi a tal paixão
Que por orgulho em mim se disfarçou...
Eu não sou dor tampouco sou saudade
Meu tempo eu meço na eternidade
Eu nunca tiro aquilo que dou

Eu retruquei:
Amar nunca compensa
Assim no mundo todo mundo pensa
Que diferença entre paixão e amor?
Amor promete a fidelidade
Paixão promete a felicidade
Sem as promessas já não sei quem sou...

E este amor se levantou da mesa
Me disse que seu nome era Beleza
Se foi de mim e nunca mais voltou...

Agora eu sei que a paixão me mata
Agora eu vi essa paixão ingrata
Meu verdadeiro amor afugentou.
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Andréa Cristo

8 de jun de 2009

14:44 - Hora mágica

Tomarei a decisão
De limpar meu universo
Ressuscitar meu coração
Convertir inverso em verso
Distinguir sim talvez e não...
Erguer o que só o chão conhece
Recitar aquela velha prece
Formulando a triangular solução:
Do vero perdão que esquece
Do perdido que reaparece
Do enfermiço que vira são
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Andréa Cristo