25 de set de 2007

Vi

Ah... se eu contasse tudo o que vi...
Minha memória guarda segredos
Testemunhei tantos enredos
Vi com estupor e não esqueci

Submersos na vanidade
Alguns tendem à não querer ver
Mas Deus me deu a propriedade
De um mistério da visão, resolver

Vi a violência e sua dinâmica
Derivada do medo que gira sobre si
Padeci sua virulência sobre minha pele
Mas ao seu fácil contágio eu não cedi

Vi a podridão da vida de perto
Brotando nos quintais da minha procedência
Estes estranhos de sangue me impondo seu "certo”
Sem impôr-se a si mesmos "certa" prática da decência

Cruzei campos minados em tenra idade
E o mundo sorria com sarcástico ceticismo
A esperança de vida me defendia com caridade
Enquanto meu instinto era puro inatismo

Me lembrei do que não sabia e sobrevivi

Vi pessoas por dentro, do avesso e por fora
Viram em mim o perigo de ser “diferente”
Caminhei sobre brazas na mundana escola
Mas só nela aprendi a ser existente

Hoje vejo o que deverias deveras enxergar
Não é facil viver com o que tenho visto
Mas mesmo que tua poeira me ameace cegar
Saiba...
Hoje meus olhos são imunes aos ciscos

Andréa Cristo

2 comentários:

Wuoy vooM - Lucas Queiroz disse...

Semi religioso ... boa defesa ... apesar de não ser o meu estilo favorito sei reconhecer quando é simplesmente bom!

Abraços ...

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Boris disse...

Adorei o texto Andrea... abraços e beijos!