24 de set de 2007

Me nego!

Posso lutar numa causa perdida,
Também procurar agulhas num palheiro,
Posso partir em missão suicida,
Mas me nego a negociar com alguém moralmente trapaceiro.

Posso enfrentar o perigo e a morte,
Posso tombar com uma pedra, um gigante,
Posso desafiar a lei do mais forte,
Por isso me nego integrar com gente moralista e intolerante.

Posso comer o pão que o diabo amassou,
Posso estar entre a cruz e a espada,
Posso abrir as portas que o destino fechou,
Por isso convido: “cruzada contra gente moralmente desfigurada”.

E pergunto:
“O que é a moral”?
Não é ir a igreja todos os dias...
Não é jogar pedras no telhado alheio,
Não é professar grandes valias,
Não é comparar o bonito e o feio;
Não é apontar com seu dedo culpável,
A culpa do vizinho,
Não é jogar o jogo hipócrita,
De quem é mais virtuoso e bonzinho;


O que deveria ser a moral?
Deveria ser o respeito pela diversidade,
O respeito pelas escolhas da individualidade,
O respeito mútuo...
O compromisso com a evolução da sociedade,
O altruísmo sem recompensas,
O sentido comunitário sem sectarismos...
Mas essa falsa moral, limpeza de consciência,
De gente estagnada no puritanismo,
É o germe da decadência,
Deste povo contaminado pelo cinismo.

Andréa Cristo

2 comentários:

Arthurius Maximus disse...

Um belo poema. Um tiro certeiro pra mexer com os brios do pessoal.

Blog Esponja disse...

Acho que muitos em Brasilia devia ler seu poema.
Se bem que boa parte do povo Brasileiro tb. rs

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