30 de mai de 2008

Fim

E caí nas lamas viscosas movediças
Numa escuridão escorregadia e profunda...
Não era de noite...
Não era de dia...
A dor, de tão intensa já não me sentia...
Eram as carícias de um açoite...
Enquanto lentamente em agonia, eu morria.

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No vazio sem gravidade
Caí no sem fundo da morte
Realidade sem vaidade
Adeus, Azar e Sorte!
Agora não tendo tudo
E sendo nada que me importe
Tenho um lúgubre pensamento:
“Se acabou meu tempo...
Mas livre estou de meus suportes.”

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Te encarei de frente
Oh sutil negrura!
Se esta é a verdade
Contemplo sua estrutura:
Te vejo como me vejo:
Agora em bruto e pura...
Sua beleza é enorme!
Quão feia es, Oh criatura!

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Já não sinto nem padeço
Nada é ruim nem é bom
Já não lembro nem esqueço
Não há silêncio nem som.

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- Caos excelência-
Indultando-me das sentenças
Dos princípios e dos fins
Dos limites das aparências
Do próximo e dos confins
Dos caprichos das marés
Dos demônios e querubins
De Marias e de Josés
Do ouro e do Marfim
De ter na Terra os pés
De ter amor e ódio em mim.
Fim.

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-Andréa Cristo-

2 comentários:

o'Ricci disse...

Se me permite dizer o que isso me lembrou:

"Quoth the raven: nevermore."

Lorena disse...

Tão lindo que chega a doer

me fez lembrar certo momento em minha vida