11 de jul de 2008

Morte que Voa

Cuidado com a morte certeira que voa,
Disparada por funestos algozes disparatados...
Cuidado com a morte traiçoeira que ecoa,
No barulho de um bairro silenciosamente assustado...

Entre caras de negro terror genuíno,
A morte que voa, a vida empecilha,
Acerta bem certa o ancião ou menino,
Decepa o crâneo do pai ou da filha.

Impiedosa, uma mão aperta o gatilho,
Decidida a penetrar num corpo qualquer,
Não importa se o alvo é teu filho ou meu filho,
Simplesmente um sangue inocente ela quer.


Mas morte que voa, eu lhe digo a verdade,
Não penses perdurar vaidosa impunemente,
Tu es a obra de homens sem brio e covardes
Com seus ferros ferindo em alardes de uma força ausente.
Tendo pressa em matar, lhe espero sentada
Belo dia justa espada lhe ferirá friamente...

Onde eu vague verei tua queda calada
Eis agora minha voz envenenando tua raiz e sementes:
__Morte à morte desnaturada que paira alada !
Tuas cinzas soprarei no limbo das mentes.

Andréa Cristo

2 comentários:

o'Ricci disse...

Antes desse seu poema, a única imagem poética de "morte alada" que eu tinha era essa, de Poe:

"E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais"

o'Ricci disse...

Quisera eu que ao invés de trocas de balas, trocassem aves nas ruas do Rio =p